sexta-feira, 4 de março de 2016

Bioma Caatinga



           Há milhares de anos além das transformações geológicas em curso a terra passou por um longo resfriamento, a “era do gelo”. Como toda água esteve congelada o planeta ficou seco, depois o gelo derreteu e toda água inundou a área onde hoje é o sertão nordestino fazendo surgir uma floresta tropical úmida.
            Com as sucessivas transformações climáticas, essa floresta passou a ter cada vez menos água e teve que se adaptar, da adaptação dessa floresta úmida surgiu a caatinga. Fazendo uma analogia, seus animais são menores e as arvores são cheias de espinhos e baixa; sem água tudo ficou mais escasso, com pouco alimento e poucos nutrientes tudo diminuiu. Na falta de alimentos os animais grandes começaram a comer menos e assim diminuíram, porque animais menores precisão de menos energia e sob o ponto de vista evolutivo, estes se tornaram exclusivos da caatinga.
            As plantas da caatinga possuem raízes superficiais e em vez de desenvolverem folhas perenes que sugam muita água passaram a ter espinhos. Assim toda a natureza teve que se adaptar para viver com pouca água.
             Como podemos observar a história da caatinga é muito antiga e acompanhou os principais processos geológicos e geomorfológicos da terra; além dos processos históricos do desenvolvimento humano, como a criação da agricultura e seus efeitos com a exploração colonial europeia, especialmente a partir do século XVII.
            Os colonizadores quando chegaram a estas terras logo perceberam que as chuvas se tornavam irregulares a medida que avançavam ao interior, então eles criaram uma lógica econômica para a sociedade em expansão: a pecuária extensiva o mais distante possível da cana de açúcar, cultivada na zona da mata, pois “o boi vivo e a cana verde” não podiam ocupar o mesmo espaço e a agricultura de subsistência junto ao gado desbravaria e ocuparia as terras da caatinga.
            Esta expansão colonial para o interior sem ferramentas ou técnicas sofisticadas de produção material e social do espaço criou-se um personagem célebre do semiárido nordestino popularizado pelos inscritos de Euclides da Cunha em Os sertões quando afirma que “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, porque se a caatinga é adaptada à escassez de água, o sertanejo é adaptado à caatinga, a espera ou a chegada das chuvas constitui todo o seu sonho, toda a sua esperança, o seu projeto de vida.
            Hoje, ainda carente de infra-estrutura e investimentos que privilegiem a convivência com a semiaridez, prevalecem práticas primitivas de uso do solo e dos recursos naturais da caatinga que além de provocar sérios problemas ambientais tornou-se um entrave sócio-econômico e cultural caracterizados por palavras subjetivas do tipo: rústico, truculento, medieval, seco, pobre, enfim todos os adjetivos pejorativos e preconceituosos que hostilizam o sertanejo e o seu habitat, a caatinga.
            Como afirma o escritor Marcelo Tabarelli no livro Ecologia e conservação da caatinga “a vegetação da caatinga não apresenta a exuberância verde das florestas tropicais úmidas... Para desvendar sua riqueza, é necessário um olhar mais atento, mais aberto. Assim ela revela sua grande biodiversidade, sua relevância biológica e sua beleza peculiar”.
            Há vários motivos que justificam o estudo e a conservação do único bioma exclusivamente brasileiro e que são defendidos pelos estudiosos:

  • ·         A caatinga é a única grande área natural brasileira, cujos limites estão inteiramente restritos ao território nacional ocupando 895 mil km2, correspondente a 11% das terras do país.

  • ·         A caatinga é proporcionalmente a menos estudada entre as regiões naturais brasileiras, com grande parte do esforço científico estando concentrado em alguns poucos pontos em tono das principais cidades do semiárido.

  • ·         A caatinga é a região natural brasileira menos protegida com mais de 70% da sua vegetação alterada e menos de 1% protegida em unidades de conservação.

  • ·         A caatinga continua passando por um extenso processo de alteração e deteriorização ambiental provocado pelo uso insustentável dos seus recursos naturais, o que está levando a rápida perda de espécies únicas e a formação de extensos núcleos de desertificação em vários setores da região.

 faz-se necessário conhecer a o bioma caatinga e procurar estabelecer uma nova visão, despida do preconceito quanto aos aspectos de aparente pobreza da paisagem e dos brasileiros que vivem no semiárido.

Projeto “Conceito e preconceito quanto ao uso e conservação do bioma Caatinga”



RESUMO DO PROJETO
                A formação por excelência da paisagem natural do Ceará é a caatinga, que apresenta vegetação adaptada às condições de aridez (xerófila), típicas de regiões semi-áridas, com raízes superficiais, estruturas espinhosas e perda de folhagem durante a estação seca, sendo representada por dois extratos: um mais alto, o arbóreo-arbustivo e outro herbáceo, quase ao nível do solo, formado pelas gramíneas. Esses extratos só se configuram após as primeiras chuvas quando toda a caatinga recupera a folhagem e se torna verde (MENEZES, MORAIS, 2002).
 Em virtude de tais características (xerófilas), muitas vezes a mesma é vista como uma vegetação sem importância e conseqüentemente pouco estudada, onde até o momento apenas 1000 espécies foram registradas, estimando-se que haja um total de 2000 a 3000 plantas (WIKIPÉDIA, 2011). No entanto, a caatinga exerce papel fundamental no Estado como fornecedora de madeira e derivados (carvão, estacas e material para construção), frutos, plantas medicinais, mel, animais, alem de sua importância para a manutenção da pecuária extensiva (MENEZES, MORAIS, 2002) e a permanência do homem no campo. Porém, o uso inadequado e insustentável dos solos e recursos naturais, repassados culturalmente tem levado a uma rápida degradação ambiental. Segundo estimativas, cerca de 70% da caatinga se encontra alterada pelo homem e somente 0,28% de sua área encontra-se protegida em unidades de conservação (WIKIPÉDIA, 2011).
Em meio a negligência e insuficiencia de conhecimento científico, o projeto: Conceito e preconceito quanto ao uso e conservação da caatinga almejam despertar junto à Escola e a comunidade, para a grave situação em que se encontra a caatinga, pois além da importância biológica, apresenta um potencial econômico pouco valorizado, necessitando de políticas públicas com estratégias de uso e conservação mais eficazes. O Projeto será desenvolvido pelos alunos e professores da EEEFM José Alves de Figueiredo por meio de revisão bibliográfica, palestras e estudo de campo. Todas as atividades serão devidamente registradas no caderno de campo que servirá de subsídio para a apresentação das ações do projeto em Feiras de ciencias, palestras nas escolas estaduais do Crato e para a produção de um artigo científico pelos alunos.
Temos consciência de que precisamos estabelecer “uma visão ecológica em defesa da possibilidade de que possa haver um equilíbrio entre o ambiente natural e a sociedade” (MENEZES, MORAIS, 2002), desconsiderando os interesses dos grupos e classes sociais, sugerindo uma análise econômica, social e política sustentável quanto ao uso e conservação da caatinga. 

OBJETIVO GERAL

·         Informar aos discentes o fator cultural historicamente estabelecido incutido no preconceito quanto às características, o uso insustentável e a conservação da caatinga.

OBJETIVOS EXPECÍFICOS


  • ·         Caracterizar a caatinga como uma vegetação exclusivamente brasileira e que deve ser protegida.

  • ·        Perceber a importância econômica dos recursos encontrados na caatinga e o peso (% do PIB) na balança comercial do estado do Ceará.

  • ·         Propor formas de uso da caatinga que privilegiem a sustentabilidade ambiental e a convivência com a semi-aridez.

  • ·         Analisar as áreas de conservação da caatinga no estado do Ceará: planejamento, implantação, funcionamento e formas de uso e conservação.

  
 METODOLOGIA
           
Esse projeto será desenvolvido de forma interdisciplinar por professores (das áreas de ciências humanas e ciências da natureza) junto aos alunos do Ensino Médio. preocupados em entender o fenômeno da caatinga, para melhor atuar no sentido da criação de um pensamento novo, que possa transpor o espaço físico da escola, contrapondo o uso imoderado dos recursos naturais com a idéia de conservar para racionalmente utilizar.
O público alvo será um grupo de doze alunos do 1º e 2º ano do Ensino Médio da Escola José Alves de Figueiredo, localizada no bairro Vila Alta em Crato-CE que serão capacitados para desenvolver e repassar as ações do Projeto. Inicialmente será realizada uma pesquisa bibliográfica e palestras com algumas instituições (Secretaria de Agricultura, EMATERCE, IBAMA, EMBRAPA, ACB, URCA, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste), que se fará perceber o agravante avanço do processo de degradação ambiental ocorrido nas áreas de caatinga no estado do Ceará.
Para efeito de pesquisa, coleta de materiais e de informações algumas áreas consideradas estratégicas serão catalogadas para visitação como: Plano de Manejo em Assaré, Estação Ecológica de Aiuaba e Reserva Natural Serra das Almas em Crateús. O Caderno de campo contendo todas as informações devidamente registradas do projeto dará apoio para a produção de um artigo sobre o tema: Uso e conservação da caatinga no estado do Ceará.
Após um relativo conhecimento do assunto e consciência ecológica por parte do aluno, além da produção científica é desejo do grupo apresentar o projeto em feiras estaduais e regionais, bem como, repassar a experiência nas escolas estaduais do município do Crato.


RESULTADOS

            O projeto ao sintetizar as amarras culturais (uso insustentável dos recursos), o latifúndio e o jogo de interesses políticos e econômicos em um ambiente fragilizado despertarão no aluno a consciência de que a caatinga precisa ser preservada e que cada um precisa fazer sua parte ao compreender que é da caatinga que o cearense retira o seu sustento.

CONSIDERAÇÃOES FINAIS

            A caatinga é um bioma único e de valor inestimável tanto do ponto de vista ambiental quanto humano. Temos consciência de que precisamos estabelecer “uma visão ecológica em defesa da possibilidade de que possa haver um equilíbrio entre o ambiente natural e a sociedade” (MENEZES, MORAIS, 2002), desconsiderando os interesses dos grupos e classes sociais, sugerindo uma análise econômica, social e política sustentável do uso e conservação da caatinga. 

PALAVRAS CHAVES

CAATINGA – BIOMA – USO – PRESERVAÇÃO – CONSCIÊNCIA – VALOR ECONÔMICO – SUSTENTABILIDADE.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
·         Wikipédia, a enciclopédia livre. A caatinga, abril de 2011


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Na voz do mestre: Considerações sobre o pensamento Freiriano


Luciano Francisco de Melo

            As reflexões abordadas aqui são inspiradas na obra do educador Paulo Freire a partir de uma entrevista realizada pelo programa Salto Para o Futuro da TV Escola realizada no ano de 1997. Ano em que vitimado por um infarto, o Brasil perde o seu mais renomado pedagogo.                                                               A escola para Freire não tem outro objetivo senão ensinar o aluno a fazer a leitura do mundo para poder transforma-lo. Em suas obras, a exemplo da Educação como prática da liberdade (1976), ele enfatiza a questão da liberdade para aprender; a democratização do ensino; e a ação modeladora ou facilitadora do processo de interação dos diversos atores que compõem a escola no âmbito interno e externo. Atores esses, que contribuem decisivamente para que a escola aconteça em “benefício de todos e para todos”, como diria o mestre – uma Escola Cidadã, maleável no sentido mais nobre da palavra e aberta á comunidade.
            Paulo Freire, em seu último livro publicado em vida – Pedagogia da Autonomia – aborda, dentre outras questões, alguns saberes fundamentais, permanentemente presentes na prática pedagógica. A partir da leitura dessa obra, a compreensão do contexto pedagógico e social do conteúdo cuidadosamente trabalhado pelo autor, com princípios ideológicos há tempos pré-estabelecidos e “bem repassados”, torna-se viável o desenvolvimento de sua proposta – A “formação de uma mentalidade democrática entre nós”.
             Os saberes fundamentais discutidos no livro são basicamente dois – “Mudar é difícil, mas é possível; e Saber escutar”, ambos de caráter social e voltados para a prática pedagógica; construídos ideologicamente ao longo do tempo e das gerações. Pensando as mudanças sob a ótica das Ciências Humanas, pode-se dizer que somos seres humanos, animais que se diferenciam dos demais pelo telencéfalo altamente desenvolvido e pelo polegar opositor; que habitam um planeta de gigantesca dimensão há 500 anos e agora ver literalmente esse espaço diminuído diante do avanço tecnológico, conseguido a duras penas e em tão pouco tempo se analisado sob o ponto de vista da evolução do homem. Assim, nos faz refletir David Harvey (1993, p. 220) através do seu famoso esquema de representação do encolhimento do mapa mundial, graças às inovações nos meios de transportes.                                               Com o modelo de globalização atual, as relações políticas, econômicas e sociais tornaram-se voláteis, pois diminuem-se os espaços e o tempo para percorrê-los. Nas últimas décadas do século XX, houve um grande avanço nos meios de transportes e nas telecomunicações que foram fundamentais para a consagração e ampliação dos blocos econômicos supranacionais. Nesse período as fronteiras nacionais foram rompidas pelo Neoliberalismo, um dos pilares da globalização que a partir da ação das transnacionais e de instituições financeiras globais (a exemplo do BIRD e FMI) tiram a identidade do Estado e manipula político e economicamente seus concidadãos.                                                                                                                          Não se pode negar! De fato há mudanças. Contudo, nessa evolução em curso, as transformações são direcionadas historicamente para o interesse dos donos dos meios de produção e do grande capital. Contudo, do ponto de vista da cidadania e do sistema educacional vigente, são colocadas “máscaras do progresso” (Cursos Técnicos, empregos, automação, propagandas de incentivo ao consumo, arranha-céus, automóveis, etc.), contraditoriamente, afim de que o sistema capitalista dê a falsa esperança de que pode atender às necessidades das massas.                                                                                               O fundamental é acreditar na mudança a partir da valorização da contribuição mínima de cada indivíduo dentro ou fora da escola, nas comunidades; indivíduos com características culturais diferenciadas dentro de uma mesma sociedade, mas com visão de mundo sensível aos problemas que assolam as populações por interesses diversos.                                                              Para Paulo Freire, “a escola cidadã é aquela que se assume enquanto um centro, um centro de direitos e um centro de deveres, a formação que se dá dentro do espaço e do tempo que caracterizam a escola cidadã é uma formação para a cidadania”. Sendo assim, esclarece o Mestre que “a satisfação das necessidades das crianças e dos jovens no âmbito das competências do município, pressupõe uma oferta de espaço, equipamentos e serviços adequados ao desenvolvimento social, moral e cultural a serem partilhados com outra geração”. Educação de qualidade é indiscutivelmente sinônimo de consciência, liberdade e de qualificação no cenário econômico atual.

Referências
HARVEY, David. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. 3º ed. São Paulo: Loyola, 1993, p. 220.
_________. A compressão do tempo-espaço e a condição pós-moderna. In: A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1989. Cap. 17, p. 257-276. Disponível em: file:///C:/Users/Cliente/Downloads/DAVID%20HARVEY%20-%20A%20compress%C3%A3o%20do%20tempoespa%C3%A7o%20e%20a%20condi%C3%A7%C3%A3o%20p%C3%B3s-moderna%20(1).pdf . Acessado em: 18/01/2016.
Paulo Freire. Na voz do mestre, alguns saberes necessários à prática docente. Salto para o futuro - TV Escola, 1997. Disponível em: http://tvescola.mec.gov.br/tve/salto/interview;jsessionid=0642FEB2B9DC17DEA957867CEAA65CD6?idInterview=8368 acessado em: 21/12/2015.
                                      

Projeto de Pesquisa: POR QUE AS FORMIGAS COMEM O MEU FEIJÃO?

Autores: Luciano Francisco de Melo e
               Renato de Sousa Lima

INTRODUÇÃO
O desconhecimento sobre as espécies nativas tanto animal como vegetal é algo cultural; e no município onde moramos não é diferente. Encravado na Chapada do Araripe, os habitantes do município de Salitre vem, ao longo dos anos destruindo a vegetação e matando os animais silvestres. Ações que acabam afetando a vida do próprio agricultor de várias formas, sem que na maioria das vezes ele não perceba, pois o município é o maior produtor de mandioca do Estado do Ceará. Sabe-se que esse tipo de lavoura requer um tempo maior para colheita em relação a outros produtos da agricultura familiar. Diante disso, o agricultor vem aumentando as áreas cultivadas no município, consequentemente, aumentando o desmatamento e a destruição do habitat de muitas espécies silvestres da Caatinga, que sem lugar para ficar acabam se deslocando para outras regiões quando não são mortas por caçadores. Isso tudo, vem refletindo no aumento de pragas nas lavouras da região.                                                                   
METODOLOGIA
Este projeto foi desenvolvido de forma interdisciplinar. A comunidade escolar resolveu tomar a iniciativa de preservação do Meio Ambiente, especialmente a fauna e a flora de nossa região. Foram, inicialmente, realizadas algumas aulas de campo, onde foi feito o levantamento dos animais silvestres mais ameaçados de extinção e das regiões onde a vegetação estava mais desmatada, fazendo o mapeamento das áreas já desertificadas do município.

RESULTADOS
Conseguimos a conscientização de boa parte da população no que diz respeito ao habitat dos animais e a sobre a cadeia alimentar; destacando que o Meio Ambiente precisa ser preservado e que cada um tem que fazer sua parte, pois é da natureza que o agricultor retira o seu sustento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nossa região é muito rica em recursos naturais e possui um grande potencial econômico, desde que o próprio agricultor tome consciência de que o solo onde ele retira o alimento deve ser protegido e que o animal silvestre ajuda-o no manejo da lavoura fazendo o controle natural das pragas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Secretaria de Saúde de Salitre, Saúde e Meio Ambiente do Município, 2005.
Zamberlan, A. F. e Froncheti. A agricultura alternativa: um enfrentamento à agricultura química. Passo fundo: Ed. P. Berthien, 1994.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Corpo e Alma




Luciano Francisco de Melo

Oh! Inquietações de uma existência (in) finita. 
Laços, emoções, há outra vida esquecida?!
Ou o transe genial de uma força sensível.
Se a pudesse tocar como ao espelho posso ver Minh ‘alma visível. 

Eu poderia prever drogas que nos pudesse sanar 
Do destino que nos é dado 
E esperamos por anos acovardados
Que os seus dias venham a nos separar.

Não sabemos nada a despeito da morte!
Será a nossa definitiva separação?
Ou apenas o parar de um simples coração?
Será o corpo apenas um suporte?

A vida um desenrolar de momento?
São indagações feitas ao vento
Que só saberemos de antemão
Vendo vermes a roer a "matéria em decomposição".

domingo, 27 de dezembro de 2015

Espaço Vital


Luciano Francisco de Melo

Nosso espaço vital é tão finito!
O tempo funciona como uma corrente 
Que prende, mas dá liberdade ao espirito
Para ir ao infinito formador da mente
A procura de explicação para a essência da vida     
O elo, a ânsia que a gente sente de conquistas,
Toda forma de experiência 
Que torna o homem criador
Um ser inteligente.
Procuro a cada instante cronológico
Uma forma de ir ou de voltar no tempo
Uma viagem impossível é lógico,
Mas de fácil acesso via pensamento.
Um meio de transporte abstrato 
Como muitos em outro momento
Quando ainda inato
Estacionado no conhecimento.
Ideologia de espaço sistematizado pela vida.
O “empirismo no futuro” 
Em um planeta avançado 
Como um fruto bem maduro;
Superamos a era digital!
Surgem novas fontes de energia 
A partir de um projeto original
Criativo quando tudo se erguia.
O planeta altamente urbanizado
Impõe um maior planejamento
E as cidades cada vez mais verticalizadas
Acredita-se emergir o empreendimento.
Os oceanos não são mais os de outrora
Resultado de uma natureza desgastada
“Escurecem a beleza da aurora”. 
A vegetação desmatada
Dificulta o processo fotossintético 
Sendo compensado cientificamente
Por meios inorgânicos ou sintéticos.
As enfermidades assolam a população
Civilizados usufruem mutuamente 
Dos métodos que seriam de dominação
Vendo sua pele arduamente
Ser consumida pela radiação.
Neste cenário de hostilidades
O que pensar da ciência? 
Afinal, brincamos de Deus na criação.
Consumimos todos os recursos ditos renováveis
E hoje lutamos contra a extinção
Diante de um “fracasso racional de acumulo e desintegração”.
                                                 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Personalidade

Luciano Francisco de Melo

Talvez eu não seja como querem
Tudo! A vida, os caracteres físico-culturais,
A maneira de ser ou agir que me inserem
Parece desmaterializar junto aos valores morais.

Tudo que um dia fui ou virei a ser
Nesse momento torna-se tão vago.
Procuro nas coisas mais simples uma razão para crer,
Um sentido, a essência, um gesto de afago.

Um humano inteligente é capaz de perceber
Em meio aos defeitos do próximo
Toda uma “beleza desfigurada em seu ser.”

Sou apenas mais um, como tantos “ninguém”
Que procura humildemente o encantamento
Que torna-me transparente aos olhos de alguém.